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Brasília/DF, Brasil • 5/Setembro/2010.   
 

Porque um Fórum Mundial de Profissões

A exemplo de fóruns como o World Economic Forum (WEF), realizado em Davos, e o Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Belém no ano de 2009, o Fórum Mundial de Profissões (FMP)¹ é um evento global independente, acometido de ações para desenvolver o estado da arte mundial e de nações pelo engajamento de líderes profissionais em parcerias de intercâmbio de agendas globais, continentais, regionais e  locais, comprometidos com o Desenvolvimento Sustentável (DS).

As associações públicas profissionais em todo o mundo têm, por via de regra, uma dupla função: por um lado estão incumbidas do desempenho de funções públicas de regulação e por outro assumem funções de representação e de defesa de interesses coletivos da profissão².

O complexo internacional se assemelha, cada vez mais, aos nacionais, e o Terceiro Setor é conclamado a cumprir com missões afeitas à sociedade civil e aos segmentos produtivos, o que parece ser desejável.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) preenche a lacuna do trabalho no mundo; o Fórum Social Mundial (FSM), a lacuna do desenvolvimento sustentável e das questões sociais; e o Fórum Econômico Mundial (FEM) atende aos interesses do desenvolvimento econômico. Há um enorme vazio a ser preenchido no mundo que se refere ao desenvolvimento das profissões e do profissionalismo, capazes de juntar e equacionar os temas e questões dos demais eventos e agências mundiais.

Não há nenhuma organização mundial afinada com esses temas – profissões e profissionalismo. O foco das organizações existentes está nas relações trabalhistas ou econômicas e não no cuidado e atenção para com as profissões e os profissionais.

A Iniciativa Global para a Educação (GEI)³, criada durante a realização da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial (FEM), em 2003, teve razoável progresso na formulação de planos setoriais nacionais de educação sustentável em nível global, catalisando o que denomina de Parcerias Multistakeholder para a Educação (MSPEs). Isso tem se dado por intermédio de um MSPE com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), objetivando codificar, socializar e catalisar a educação sob diferentes formas e dar início a uma Aliança Global para a Educação. Dentre outras, as MSPEs podem apoiar reformas educacionais, mudar práticas de ensino e mudar processos e modelos entre professores e dirigentes de instituições de ensino.

A proposta do Fórum Mundial de Profissões é complementar o GEI na medida em que consulta os profissionais sobre as formas em que foram “formados/ensinados” e as que deveriam ter norteado o seu aprendizado quando estudantes. Além disso, difunde o modelo brasileiro de Conselhos e Ordens Profissionais a outros países que já têm manifestado interesse em adotá-lo.
O que se pretende com o FMP é avançar no futuro das profissões e do relacionamento destas com o mercado, com outros profissionais e com suas responsabilidades perante e dentro de alguns quadros que têm mostrado certas tendências, inclusive no Brasil.

O certo é a mudança. No momento, a tendência parece ser a de transferência do foco do professor/ensino, para o do estudante/aprendizado. O objetivo é formar um novo profissional com perfil individual próprio e não massificado por um sistema em que todos recebem exatamente a mesma carga instrucional. Esse é um dos grandes desafios do futuro.

Ainda que nostálgicos, alguns exemplos ilustram esse profissional individualizado, com perfil transmitido de pai para filho e não necessariamente pela escola: o ferreiro, o carpinteiro, o marceneiro e outros, típicos de um passado não muito distante. Algumas dessas profissões ainda persistem e deverão continuar existindo, como é o caso do casqueador/ferrador de cavalos. Some-se a isso o fato do surgimento, em breve, de profissões antes nem pensadas como glaciologista, administrador de caos urbano, analista de saúde corporal, entre tantas outras.

¹ The World Professional Forum (WPF)
² A verdadeira natureza jurídica dos Conselhos Federais de Fiscalização Profissional e seus aspectos polêmicos – Aprofundamentos e reflexões – Fernão Juris. 2008.
³ The Global Education Initiative (GEI)

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